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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Meg Myers - Take Me To The Disco [Álbum em destaque]

Take Me To The Disco de Meg Myers

Lançado a 20 de Julho, Take Me To The Disco, o segundo álbum da cantora americana Meg Myers, conta com 12 faixas repletas de desabafos poderosos e honestos.

Para quem pensava que "Take Me To The Disco", a faixa-titulo, surgiria como uma canção de dança pop, desengana-se. A canção abre o álbum ao som do piano com Meg a cantar tristemente os seus lamentos sobre um ex-amor, de forma sincera e fantástica.

O primeiro single "Numb", o hino anti-industria musical, vem de seguida com um rock alternativo, que aborda sobre as pressões que ela sentiu por parte da sua antiga editora.

"Tear Me To Pieces" mantem-se firme na onda do rock alternativo, onde ela transmite a sua fúria com todos os seus sentimentos em desgostos amorosos.

Parecendo vinda dos anos 80, "Death of Me" traz um dueto surpreendente com o seu produtor e músico Leggy Langdon.

"Algums pessoas ficam / E alguns pessoas partem / E algumas pessoas mudam, as vezes", ela reflete em "Some People" com uma sonoridade épica e magica.

Já a canção cheias de riffs, "Done", ela lança-se num tom agressivo, desabafando desalmadamente as suas emoções.

Parece que a cantora já não quer mais pedir desculpas como no álbum de estreia, pois ela surge com o tema "I'm Not Sorry". De forma emocionante e profunda, ela continua a expressar os seus desabafos e quase no final da canção, ela liberta a sua raiva através da sua voz.

Um dos destaques do álbum vai para "Little Black Death", onde ela canta sobre o coração partido como uma pequena morte negra.


Para além de "Little Black Death", tanto "Death of Me" como "Funeral", seguem a mesma linha lírica sobre a 'morte' em termos de relacionamentos amorosos.

O álbum termina calmamente com "Constant", que traz um toque especial ao final do disco, com o som de instrumentos de cordas.


Meg Myers foi real, pois ela deu tudo de si através da sua alma e da sua verdade, tornando assim este álbum cada vez mais profundo. Ela entregou-se inteiramente e impulsivamente as suas emoções tanto através de baladas como de canções mais raivosas. Com este álbum, ela seguiu a direção certa, pois ela explora tudo que há nela mesma, dando assim ao álbum faixas muitos interessantes, que faz com que o álbum se torne único e especial. E não só pelas as suas letras honestas e diretas, pois em termos de sonoridade, ela foi mais alem e introduziu vários elementos sonoros no disco, como se um misto de sentimentos se tratasse.

Alinhamento do álbum
  1. Take Me To The Disco
  2. Numb
  3. Tourniquet
  4. Tear Me To Pieces
  5. Jealous Sea
  6. The Death Of Me
  7. Some People
  8. Done
  9. I'm Not Sorry
  10. Little Black Death
  11. Funeral
  12. Constant

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Paul Banks dos Interpol explica faixa por faixa do novo álbum Marauder [Lê aqui]


Paul Banks, o vocalista da banda americana Interpol, explicou cada faixa do novo álbum Marauder para o site NPR Music.

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1. "If You Really Love Nothing" - Uma das improvisações de ritmo. Sam está a rockar numa mistura e a postura rítmica é incomum para nós.

A música tem algumas das minhas letras favoritas: "Se tu realmente nada amas, todos inventam, todos perdem". É um sentimento semelhante como é expressado por "Stella [Was a Diver and She Was Always Down]". "As fachadas dos edifícios são apenas fachadas". Ambas as canções, suponho, que se centram a volta de um narrador que está perplexo com uma mulher com patologias psicológicas complicadas que envolvem paranoia e dissociação. Essa música, como "Stella", sugere que o narrador desista dessa mulher no final de contas. Os refrões apresentam a melhor interação de guitarra no disco.

2. "The Rover" -  "The Rover" foi uma das primeiras músicas que conseguimos desenvolver. Daniel apresentou o riff e o resto veio rapidamente - baixo, bateria e vocais.

Eu queria manter o baixo e a guitarra simples nos versos. Eu senti que o contraponto de um drone contra a papoila de Daniel, a progressão nítida forneceria uma energia engarrafada, que nós lançamos quando o refrão chega e o baixo e as guitarras divergem.

A letra é sobre um líder da seita, sedutor e carismático que não tem dificuldade em juntar os jovens seguidores. A mensagem da canção é de inclusão, obediência, hedonismo e salvação. O fim está próximo, então vem e vê-me.

3. "Complications" - Outa canção rítmica. Sam realmente esticou-se e divertiu-se. Uma das minhas músicas favoritas. Eu sinto que "The Rover" e "Complications" existem no mesmo mundo - no mesmo filme. Se "The Rover" estava a andar pelo deserto numa viagem ácida, então "Complications" é a música que toca na jukebox do bar onde ele [a personagem de "The Rover"] termina - a volta do pôr-do-sol.

4. "Flight of Fancy" - Essa música tem uma progressão de acordes de Daniel muito estranha. Eu penso, na minha opinião, que começa no 5º acorde da melodia e então toca como: 5, 1, 2, 3, 4. Mas se perguntares a Daniel, a ordem dos acordes é como tu ouves: 1, 2 3, 4, 5. Basicamente eu acho que ele está começar a sua melodia no lugar "errado". E ele acha que eu sou louco. Nós provavelmente estamos ambos certos.

Mas essa diferença de orientação deu-se a um arranjo divertido e fluido entre o baixo e as duas guitarras. Eu acho que seria difícil para alguém aprender a música porque ela não parece seguir nenhuma regra. Para tocá-la corretamente, eu primeiro tive que memorizar o meu padrão de baixo antes que a pudesse senti-la.

Liricamente a música começa como um lamento de um amante - muito parecida com "NYSMAW" - a ideia é, porque é que eu não posso-te conhecer?

Então o refrão abre-se para uma afirmação desafiadora. Uma reivindicação de ação. Os meus pensamentos são meus. E eu sou os meus pensamentos. Isso indica uma sensação e um tom (e a meu ver) que um dia não estaremos apenas a defender o nosso direito à privacidade e a liberdade de expressão. Mas podemos, algum dia, nós mesmos, encontrarmo-nos para defender a nossa liberdade de pensamento. É outra música, como "Surveillance", que é tematicamente semelhante a um episódio de Black Mirror. Eu apenas gosto da ideia de recuperar o direito ao pensamento livre.

5. "Stay in Touch" - A nossa improvisão gótica. Daniel adorou a linha simples do baixo que é descendentemente sinistra e nunca deixou-me mudar isso. :) O seu riff impressionou-nos sempre - é lindamente oco, amadeirado - fisgado mas vago. Rabugento e distante, mas pegadiço e convidativo. O produtor Dave Fridmann adorou imediatamente a forma como entrou no seu ouvido. É fixo. Nós escravizamo-nos para mantê-lo [riff] junto como uma música, mantendo a qualidade nebulosa das mudanças abatidas de Daniel. O terceiro verso apresenta uma parte fixe de guitarra do Daniel, soando oriental ou africano. Muito escassa, mas cheia de energia cinética. Isso inspirou o meu segundo melhor riff no disco, carinhosamente chamado de "Cubano Bill Gates".

Sam trouxe o sabor desta vez.

6. "Mountain Child" - Na minha opinião, o narrador talvez seja a mesma personagem de "Rover" - um homem empoeirado. Aqui, ele está apaixonado por uma rapariga que é apaixonada pela natureza. Ela é uma pária social [marginal] por escolha. Ela prefere o selvagem. Mas o narrador consegue vê-la - conhece a alma através do seu espírito e escolhe segui-la.

No terceiro verso ele é mordido por uma cobra venenosa. E enquanto a música prossegue, a sua consciência desfaz-se quando a toxina invade os seus sentidos. Ele torna-se absurdo, irrequieto: "A minha criança da montanha é estranha e eu sou uma espécie de herói. Nós costumávamos governar naquela altura. O que nós costumávamos governar naquela altura?" [Estes] são os seus últimos pensamentos antes de morrer.

O outro apresenta o meu quarto riff favorito, mas é apenas uma inversão do que Daniel está a tocar.

7. "NYSMAW" -  É apenas uma roqueira [a canção] com uma briza pop. Dançável, com energia forte. Daniel coordenou os acentos armadilhados para ressaltar os seus golpes violentos de guitarra fora de ordem. Liricamente a música é sobre querer entender mais o parceiro. É a frustração de nós não sabermos tudo e a frustração de que ela de facto saiba tudo de mim.

8. "Surveillance" - Sam e Daniel muitas vezes defendem a batida disco da canção e a propulsão de alta energia. Harmonicamente, é uma jornada estranha. O padrão de acordes de Daniel começa como um padrão de quatro acordes, então ele adiciona um acorde à sua sequência, fazendo cinco acordes. Então ele adiciona um sexto acorde. É como se fosse adquirir uma nova faceta a cada passagem. Dá a ilusão de que não há uma âncora clara nos versos, mas há sempre o padrão aninhado de quatro cordas. [Isso] nunca pára.

Sam traz uma energia especial para esta faixa. É o estilo de dança de Sam. A interação do baixo e da bateria aqui, foi algo no qual trabalhamos cuidadosamente. Se saísse corretamente, deveríamos estar entusiasmo. Essa música apresenta o meu terceiro melhor riff de guitarra, apelidado de "Bill Gates".

(Aparece no outro.)

9. "Number 10" - Esta música estava destinada a ser um lado B. Eu tinha escrito uma base de surf divertida que combinava bem com a bateria, mas eu nunca fui super feliz com a música. No estúdio, nós apenas gravamos porque nós tivemos algum tempo. Mas não havia uma segunda guitarra nem vocais.

Quando a gravamos [a faixa], saiu realmente explosivo e divertido. As guitarras e os vocais adicionais foram escritos em poucas horas durante duas tardes. Sem barulho, sem confusão.

As letras são sobre um drama de escritório. O narrador está cansado da sua supervisora, Ella respirando no seu pescoço. Ela é uma chefe difícil. Mas também há um amor ali, uma atração secreta. Uma atração secreta mútua. Mas, infelizmente, os negócios são negócios e o seu desejo nunca é satisfeito. Eu acho que esse sentimento de frustração e desejo adapta-se ao temperamento da música. A intensidade descuidada. Luxúria reprimida.

Eu amo esta música. É a faixa mais solta, mais espontânea e inédita do álbum, e tenho orgulho da sua sensação de garagem e coragem.

10. "Party's Over" - Estalando comprimidos e masturbando-se para o Instagram. (Ficção!) Também é chamada de uma anarquista às armas.

11. "Probably Matters" - É como um filme impressionista / surrealista sobre um relacionamento extinto - o remorso, a culpa e a vergonha que podem incomodar-nos através da neblina da reflexão tardia.


segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Blossoms - Cool Like You [Álbum em destaque]

Cool Like You de Blossoms

Lançado a 27 de Abril, o segundo álbum dos britânicos Blossoms, Cool Like You, conta com 11 faixas e na versão Deluxe vem incluindo as 11 faixas em acústico.

O disco começa em grande com o single "There's a Reason Why (I Never Returned Your Calls)". Esta é uma canção que não sai da cabeça facilmente, pois contem uma magia especial e uma mensagem que aborda aquele momento em que preferimos ficar firmes no nosso orgulho para alguém que já fez parte da nossa vida e não quer sair, pois essa pessoa quer uma segunda oportunidade mas nós não resistimos a tentação de cair no mesmo erro.


Já a segunda faixa e o primeiro single "Can't Stand It", a banda traz um ritmo acelerado que combina com os riffs de sintetizadores em cascata e o seu refrão viciante.

Em "Cool Like You", os sintetizadores continuam firmes na sonoridade para a 3ª faixa e é como se fosse a continuação de uma história. Outro exemplo disso é a canção cintilante chamada "Unfaithful", que oferece-nos ainda, em segundo plano, um riff vindo do baixo.

Com a melodia lenta de "Stranger Still", o vocalista Tom Odge canta sobre a solidão ["...desde que tu deixas-te o meu coração, há uma vaga"].

Um dos grandes destaques do álbum vai para "How Long Will This Last", pois traz-nos um refrão cativante e um synth-pop eufórico.

"Giving Up The Ghost"
é a canção mais pesada do álbum e traz uma abordagem diferente ao álbum em termos de sonoridade.

Tanto como "Lying Again" e "I Just Imagine You" fogem para outro registo, no qual faz-nos lembrar o new-wave dos anos 80, ao estilo da banda Blondie.

Com emoção, o álbum termina com "Love Talk", uma balada na qual Tom Odge canta sobre um novo relacionamento.


Com este álbum, os Blossoms levaram-nos a viajar pelo synthpop dos anos 80, pois os sintetizadores estão mais em vidência ao longo do álbum. Mas ao mesmo tempo, eles ainda conseguiram manter-se fieis a sua forma de fazer música pela qual os vimos nascer e a marca da banda deixada, nunca passa despercebida quando ouvimos as suas canções. Pode até não existir grandes surpresas neste álbum, pois se calhar ainda não é o momento certo para eles arriscarem, mas a qualidade de som da banda permanece lá.

Alinhamento do álbum
  1. There's a Reason Why (I Never Returned Your Calls)
  2. I Can't Stand It
  3. Cool Like You
  4. Unfaithful
  5. Stranger Still
  6. How Long Will This Last?
  7. Between the Eyes
  8. I Just Imagined You
  9. Giving Up the Ghost
  10. Lying Again
  11. Love Talk

terça-feira, 24 de julho de 2018

Sunflower Bean - Twentytwo in Blue [Álbum em destaque]

Twentytwo in Blue de Sunflower Bean

O nosso 1º Álbum em Destaque vai para o segundo álbum, Twentytwo in Blue, da banda norte-americana Sunflower Bean

Lançado a 23 de Março deste ano, o álbum conta com 11 faixas que mostra que a banda contínua fiel ao núcleo da sua banda de guitarra e as raízes inspiradas no rock clássico, enquanto explora novas texturas sonoras com temas mais diretos e progressivos.

Depois de há 2 anos terem lançado o seu álbum estreia Human Ceremony, o trio nova-iorquino prova agora que ainda tem realmente algo a dizer.

Algumas das suas canções do álbum, aborda, parcialmente, de um tema que têm vindo despertar reações de várias bandas, principalmente nas suas composições, e não pelos melhores motivos, pois fala-se da situação politica atual dos EUA. Temas como "Burn It" e "Human For" dão uma tendência rebelde ao álbum.

Um exemplo ainda mais preciso sobre isso está no single "Crisis Fest" que fala de um roqueiro chamado às armas que exige que rabisquem os lemas anti-sistema num cartaz: "Há um golpe no nosso país / está acontecer agora", diz o grunhido furioso da vocalista Julia Cumming na canção.

Não poderemos deixar de falar das influências da banda contidas no álbum, como é caso da canção "Memoria" onde se pode ouvir as harmonias ao estilo da banda Fleetwood Mac.

Já a viciante "Twentytwo" é incorporada em elementos de poesia de Dylan Thomas:"Eu não entrarei em silêncio na noite que me chama, mesmo quando estou sozinho/a".


Ao ouvir o álbum percebe-se que nenhuma canção parece estar fora do lugar, mesmo as canções mais alegres como "Sinking Sands" ou mágica "I Was A Fool" que nos faz viajar no tempo e nos lembra o álbum de estreia da banda.


Em suma, de um álbum para outro, nota-se que a banda conseguiu rapidamente amadurecer com o novo álbum e dar-nos mais bons momentos.

Alinhamento do álbum:
  1. Burn It
  2. I Was A Fool
  3. Twentytwo
  4. Crisis Fest
  5. Memoria
  6. Puppet Strings
  7. Only A Moment
  8. Human For
  9. Any Way You Like
  10. Sinking Sands
  11. Oh No, Bye Bye

···Posts em destaque···